Menu

Drop Down MenusCSS Drop Down MenuPure CSS Dropdown Menu

Barra Crachás

Barra Crachás

29 de agosto de 2015

BCP 31 e 32 MOÇAMBIQUE

asas (5)I.

 

A instalação das tropas Pára-quedistas em Moçambique remonta ao ano de 1961, e à criação do BCP 31. Este primeiro Batalhão instalado em Moçambique estava aquartelado na Beira, apesar de a Portaria 19520 prever a sua instalação em Nacala, razões várias foram impedindo que isso viesse a ocorrer, mantendo-se em Nacala apenas uma Companhia de Caçadores Pára-quedistas (CCP) em destacamento. A importância do porto de Nacala, do terminal do caminho de ferro para o Niassa e Malawi, e a construção em Nacala da primeira grande pista aeronáutica da província, eram razões de peso para a instalação de uma unidade Pára-quedista na região. As obras para a construção do aquartelamento do BCP 31 em Nacala, tinham sido iniciadas em fins de 1965, com a participação do pessoal da CCP que se encontrava aquartelada nas instalações do Aeródromo Base nº5 (AB5).


Em Abril de 1966 o BCP 31 assume a missão de segurança na Beira, face ao bloqueio dos portos de Moçambique pela esquadra britânica, na sequência da imposição de sanções económicas à Rodésia do Sul. Esta situação praticamente esgota as capacidades do BCP 31, o que originou o pedido de criação de um segundo Batalhão de Caçadores Pára-quedistas em Moçambique.
Aquartelamento em Nacala Em 11 de Novembro de 1966 foi publicada a Portaria nº22302 que criou o BCP 32 com sede em Nova Freixo. A unidade viria a ser activada em Janeiro de 1967, em Nacala, nas instalações inicialmente destinadas ao BCP 31 (em Novembro de 1966 o BCP 31, por despacho do Comandante da 3ªRA passa a ter a sua sede na Beira). A activação processou-se com efectivos cedidos pelo BCP 21, como foi o caso da 1ªCCP, que chegou a Nacala em Mar 1967, e pelo BCP 31, no caso da 2ªCCP.
O Batalhão estava organizado com: Comando, que integrava o comandante e o 2º comandante, a Secção de Informações e Operações, a Secretaria e Secção de Pessoal, e o Serviço Religioso; as duas Companhias de Caçadores Pára-quedistas, 1ª e 2ª CCP; a Companhia de Materiais e Infraestruturas (CMI), que integrava toda a área de apoio em termos de abastecimentos, aquisições, infra-estruturas, manutenção, transportes, dobragem de pára-quedas e cães de guerra; e ainda o Conselho Administrativo, a Secção de Justiça e o Serviço de Saúde. Em termos de instalações o Batalhão recebeu o aquartelamento inicialmente destinado ao BCP 31, junto às instalações do AB5. Tratava-se de um aquartelamento com condições bastantes razoáveis, que foi sendo continuamente melhorado ao longo dos anos. A actividade aero-terrestre contava com a dificuldade de meios aéreos, dado que no AB 5 havia apenas aeronaves necessárias às acções de combate (Fiat G91, AL-III, DO-27). A zona de lançamento Relamzapo, que era utilizada normalmente, situava-se a NE do aquartelamento, a cerca de 20Km.
O dia 26 de Janeiro era o Dia da Unidade celebrando a data em que a Bandeira Nacional foi hasteada pela primeira vez no aquartelamento do Batalhão. "FAMOSA GENTE À GUERRA USADA" foi o lema escolhido para a unidade.
Comandantes do BCP 32
- TenCor PQ Fernando Soares Cunha (23Jan67 a 17Dez68)
- TenCor PQ João José Curado Leitão (17Dez68 a 28Jan71)
- TenCor PQ João da Rocha Teles (28Jan71 a 20Dez71)
- TenCor PQ João de Campos Sardinha (20Dez71 a 21Abr72)
- TenCor PQ José António Jerónimo Gonçalves (21Abr72 a 03Nov73)
- TenCor PQ Manuel Claudino Martins Veríssimo (03Nov73 a 19Jul74)
- TenCor PQ Horácio Cerveira Alves de Oliveira (19Jul74 a 16Nov74)
Galeria dos Comandantes

Actividade Operacional
A actividade operacional no BCP 32 começaria logo após a sua criação. Em Maio de 1967 foi desencadeada a operação "TEIMOSIA/BARRIGA ABERTA" que seria a primeira operação do Batalhão.
No dia 19 de Julho de 1967, durante a Operação "ABRAÇO", desencadeada com forças do Exército na região da serra do Mapé, num deslocamento de regresso da Cruz Alta para Macomia, as Nossas Tropas (NT) sofrem uma emboscada que provocou 3 mortos e vários feridos. Os Soldados Pára-quedistas Manuel C. Alves Pereira, Francisco F. Pinto Faria e, Mário de Jesus V. Nova Maria foram as primeiras baixas mortais do Batalhão.
Acampamento na Área de Operações
O BCP 32 no âmbito operacional era uma reserva do Comando Chefe das Forças Armadas em Moçambique, assim para além das operações propriamente ditas as CCPs eram com frequência empregues em outras acções como reforço de unidades ou sub-sectores em períodos críticos (redições de unidades, após graves reveses, ou na previsão de ataques). Este tipo de missões assentava na elevada mobilidade estratégica das unidades Pára-quedistas que as tornavam peças bastante flexiveis à disposição do Comando Chefe.
As operações foram-se sucedendo - em menos de oito anos seriam realizadas cerca de 400 operações. A área normal de operações era na Zona de Intervenção Norte (ZIN) onde as CCP permaneciam por largos períodos.
Pelos resultados obtidos é de referir a operação ZETA executada sob comando do BCP 32 com a sua 2ªCCP e a 2ªCCP do BCP 31. Em 7 de Junho de 1969, efectuou-se o lançamento em Pára-quedas das CCP, numa zona (pântano de Malambuage - sul do rio Rovuma) onde outras forças tinham tentado penetrar por terra, em vão. O envolvimento vertical permitiu surpreender o inimigo e capturar grandes quantidades de material de guerra e destruir a base Limpopo. Face à necessidade de garantir as necessárias condições de segurança à construção da barragem de Cabora Bassa, em Tete, é desencadeada uma grande ofensiva em Cabo Delgado para desarticular as estruturas da FRELIMO no norte, em especial o seu nucleo central na região da Mueda, enfraquecendo-a e impossibilitando-a de levar as suas acções ao distrito de Tete.
Esta ofensiva, centrada na operação NÓ GÓRDIO desencadeada de 1 de Julho a 5 de Agosto de 1970 com forças dos BCP 31 e 32 e do Exército, permitiu entre outros objectivos destruir algumas das bases mais significativas do inimigo (base "Moçambique" e Gungunhana).

guibcp31 guibcp32

Mueda
Travessia de curso de água
No inicio de Setembro de 1974 graves incidentes ocorreram em Lourenço Marques. O Movimento Moçambique Livre, envolvendo elementos dos mais díspares sectores da população Moçambicana - brancos e negros - numa revolta espontânea ocupam alguns pontos da capital e tentam alargar os sentimentos anti-FRELIMO ao resto do território. As forças do Exército demonstram uma apatia generalizada e a policia parece simpatizar com a revolta. Com a cidade de Lourenço Marques à beira de se tornar num campo de batalha, duas CCPs (uma do BCP 31 e outra do BCP 32) recebem ordens para seguir para a capital.
As companhias deslocam-se em aviões Nordatlas, prontas para executar um salto táctico face à ameaça de destruição das pistas do AB8. As ameaças não se concretizam e a aterragem decorre sem problemas. No dia 10 de Setembro, com os revoltosos confinados ao edificio do Rádio-Clube e sem o apoio que provavelmente esperavam do exterior, os pára-quedistas apoiados por duas VBTP do Exército ocupam o posto de comando do Movimento. A revolta durou três dias 7 a 10Set74.
Extinção
A partir de 25 de Abril de 1974 a actividade operacional do Batalhão manteve-se durante algum tempo sensivelmente nos mesmos moldes em que vinha sendo praticada do antecedente. A partir de Setembro a actividade contra os guerrilheiros da FRELIMO cessou, na sequência de contactos políticos estabelecidos pelas autoridades portuguesas com os dirigentes da FRELIMO.
BCP 32 em desfile
Em Outubro de 1974, na sequência dos acordos de Luzaka que puseram fim à guerra em Moçambique e estabeleceram o programa da transferência da soberania portuguesa em Moçambique para a FRELIMO, o Comando da 3ªRA ordenou a extinção do BCP 32, e a transferência do seu pessoal para o BCP 31. As transferências de militares do BCP 32 para o 31 inicia-se ainda em Outubro e no mês seguinte são transferidas as companhias: a 2ª CCP a 2 de Novembro e a 1ªCCP a 13, ficando no entanto aquartelada em Nacala. O comando da unidade e vários oficiais, sargentos e praças da área administrativa são transferidos para o BCP 31 em 16 de Novembro.
O BCP 32 é desactivado a 15 de Novembro de 1974, conforme mensagem CPB 765SET74/C do Comando da 3ªRA. O Decreto-Lei 140/76 que determina a extinção da 3ªRA e das unidades e orgãos da FAP em Moçambique, só foi publicado em 19 de Fevereiro de 1974, indicando como data de extinção 31 de Outubro de 1974.
A competência e eficiência com que os Pára-quedistas do BCP 32 cumpriram em Moçambique as missões atribuídas, foi paga com a morte em combate de 18 pára-quedistas (16 praças e 2 sargentos).