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Barra Crachás

Barra Crachás

4 de outubro de 2015

SILÊNCIO EM KOMORO


Fez 15 anos no passado dia 03 de Outubro que, num trágico acidente de aviação, em Timor-Leste, perderam a vida dois nossos camaradas: 1SAR/PARA Vitorino Fernandes e SOLD/PARA José Lopes.
Com este artigo não pretendo avivar a memória daqueles que passaram pelo drama vivido nessa altura, pois certamente esta data não está esquecida, mas apenas, e porque me vem à memória, “… Aquele silêncio…”, transcrever alguns extractos do diário que me acompanhou, durante os seis meses que durou a missão e que serviu, como é natural de um amigo confidente, para nele depositar as vivências, os sentimentos, as alegrias e tristezas que normalmente fazem parte da história pessoal, mas que, como neste caso, penso poder servir para expressar um sentimento comum a muitos dos que acompanharam e viveram este drama que enlutou não só o Batalhão mas também o País.
Dia 3de Outubro de 2000 – São duas horas da manhã de 04OUT. Estou extenuado, mas não posso deixar para mais tarde esta obrigação a que me propus no início da missão, a de tentar descrever neste diário os factos importantes e marcantes deste período.
Infelizmente este acidente jamais esquecerei. Será necessário descreve-lo?
Estou de serviço ao Estado-Maior/2ºBatalhão de Infantaria Pára-quedista juntamente com o CAP Gonçalves. Recebo uma chamada via NERA (Telf Satélite) do CAP Ribeiro que se encontra no Posto de Comando avançado do Batalhão em Same. Quando atendo, ele diz-me: “Rodrigues tome atenção ao que lhe vou dizer…”- entretanto pede-me para aguardar pois foi chamado ao rádio. Fico alerta e deduzo que algo de grave se passou. Logo que retoma a comunicação informa-me que caiu um helicóptero, para mandar cortar todas as comunicações com o exterior, excepto VHF e NERA, restringir a informação ao pessoal do Estado-Maior, mandar regressar ao aquartelamento todo o pessoal que se encontrava no exterior assim como proibir as saídas. Estas informações são passadas ao CAP Gonçalves e inicia-se um conjunto de acções tendentes a concretizar as directivas recebidas.
Eram 17H35 quando recebi a notícia sendo difícil descrever o ambiente de angústia que se abateu sobre as pessoas que tomaram conhecimento da situação face ao desconhecimento de pormenores que permitissem avaliar a gravidade do acidente. Havia feridos? Mortos? Quantos? Quem? O helicóptero caiu ou foi abatido?


30 de setembro de 2015

S.MIGUEL ARCANJO PATRONO DOS PÁRA-QUEDISTAS

S. MIGUEL
Padroeiro das Tropas Pára-quedistas

S. Miguel é um dos três Arcanjos referidos pelo nome na Bíblia. O nome Miguel, de origem hebraica, significa "Quem como Deus?" e era o grito de guerra dos anjos fiéis a Deus na batalha celestial contra Lucifer e os anjos que se revoltaram contra Deus.
Nas Profecias de Daniel (X, 13-21), o Arcanjo S. Miguel é considerado como um dos primeiros príncipes celestes e príncipe do povo de Israel, isto é aquele a quem estava principalmente confiada a guarda deste povo.
S. João, no Apocalipse (XII, 7-10) descreve S. Miguel como o chefe das milícias celestes na luta contra Lucifer e os anjos revoltosos. S. Miguel vence Lucifer que é banido do Céu para o Inferno.
Por estas descrições, S. Miguel é geralmente representado vestindo uma armadura metálica, com asas nas costas, e lutando contra Satanás, representado por um dragão ou ser demoníaco.

17 de setembro de 2015

EXERCÍCIOS JÚPITER

JÚPITER 80
O primeiro Exercício da série JUPITER realizou-se em 1979 na região de Macedo de Cavaleiros e englobou forças do CTP, meios aéreos da Força Aérea e ainda pela primeira vez (só se voltaria a repetir em 1993) com a participação de uma unidade do Exército (artilharia). O exercício contou ainda com a participação de uma unidade espanhola da Brigada de Pára-quedistas de Espanha (BRIPAC). Esta presença que teve inicio no exercício MARTE 78 (exercício nacional) viria a continuar ao longo dos anos com uma participação reciproca de uma unidade pára-quedista portuguesa nos exercícios LUSITÂNIA em Espanha.

16 de setembro de 2015

A PROJECÇÃO E ALGUMA ACTUAÇÃO DAS TROPAS PÁRA-QUEDISTAS

O Primeiro Desfile
Preparando-se uma parada de forças militares e para-militares, na qual pela primeira vez se integravam Tropas Pára-quedistas, na Avenida da Liberdade, perante a alta Hierarquia Nacional e grande público, houve quem tentasse estabelecer condições tendentes à minimização do provável brilho daquelas Tropas, na sua primeira apresentação ao País. Porém e independentemente de tais condições, os pára-quedistas desfilaram impressionante e espectacularmente, dando uma sensação invulgar de aprumo e atavio, de força e poder.
Todos os assistentes ficaram maravilhados, encantados com semelhantes Tropas. Mas no subconsciente de algumas elevadas entidades, passou um vago sentimento de receio de quem emanava tanta força e poder.






O Exercício Himba
Em 1959 e precedendo a instalação da Força Aérea no Ultramar Português, realizou-se o exercício Himba. Nele se deslocaram a Angola 6 aviões de combate, 2 bimotores de transporte e 6 quadrimotores igualmente de transporte, e nestes últimos seguiu uma companhia de pára-quedistas. Todos fizeram escala em Cabo Verde, na Guiné e em São Tomé e Príncipe.
À saída de Lisboa verificou-se um lamentável acidente com um 3º bimotor de transporte que vitimou toda a sua tripulação. Mas e independentemente da dor por todos sentida, nem por isso o exercício foi cancelado ou mesmo alterado no seu ritmo.
Em Angola tiveram lugar demonstrações de bombardeamento e ataque ao solo - em Luanda -, e lançamentos e desfiles de pára-quedistas - em Luanda, Nova lisboa e Sá da Bandeira. Tudo foi um enorme sucesso, mas as forças pára-quedistas, nos lançamentos e mesmo nos desfiles, produziram o maior impacto, deslumbrando autoridades e as populações de todas as etnias.
O respectivo eco depressa chegou a Lisboa.

O DESENVOLVIMENTO DAS TROPAS PÁRA-QUEDISTAS

A Subsecretaria e Secretaria de Estado da Aeronáutica
 A Subsecretaria depois Secretaria de Estado da Aeronáutica foi criada na dependência do Ministro da Defesa Nacional e, deste modo, na Presidência do Conselho de Ministros. As suas atribuições diziam respeito a tudo o relativo à Força Aérea e consequentemente às Tropas Pára-quedistas.
Em 1955, foi designado para Subsecretário de Estado da Aeronáutica o autor deste Apontamento, a quem, na sua qualidade de primeiro Subsecretário e depois primeiro Secretário de Estado da Aeronáutica, competia o desenvolvimento da Força Aérea e das Tropas Pára-quedistas. Assim teve lugar, verificando-se um desenvolvimento rápido e, pelo menos entre nós, extraordinário na sua dimensão e invulgarmente apurado em termos de qualidade.

O Desenvolvimento da Força Aérea
Na Força Aérea, constituíram-se o Conselho Superior da Aeronáutica, a Comissão Técnica da Força Aérea, o Estado-Maior da Força Aérea; os Comandos das Regiões Aéreas; as Direcções dos Serviços; o dispositivo de instrução, operacional e logístico de 1º e 2º escalões, com as Bases Aéreas, Aeródromos-Base e Aeródromos de Manobra; o dispositivo logístico de 3º escalão, com o Depósito Geral de Material da Força Aérea as Oficinas Gerais de Material Aeronáutico, o Parque de Equipamento de Obras, etc. Entraram em vigor novos e muito mais latos quadros de pessoal. Obtiveram-se, por cedência no âmbito da NATO e por aquisição, aviões, helicópteros e toda a espécie de equipamento adequado. Foram preparadas as infraestruturas necessárias. Foram postos a funcionar ou a funcionar mais capazmente os Órgãos Consultivos, o Estado-Maior, os Comandos, as Direcções e as Unidades. E foram actualizados e aperfeiçoados no máximo possível a instrução e o treino operacional.
Quando o Subsecretário de Estado da Aeronáutica forçou que se pensasse na extensão da Força Aérea ao Ultramar Português, fizeram-se reconhecimentos, elaboraram-se planos e definiram-se as 1ª, 2ª e 3ª Regiões Aéreas; a 1ª abrangendo a Metrópole, Cabo Verde e Guiné, a 2ª, Angola e São Tomé e Príncipe, e a 3ª, Moçambique. E logo, ou quase logo, foram constituídos os respectivos Comandos, Direcções e Unidades, enviando-se pessoal e material progressivamente, na medida das possibilidades, de resto francamente crescentes, e preparando-se as infraestruturas, de início no estritamente indispensável e depois no folgadamente necessário.
Deste modo e apesar das obstruções políticas e financeiras, que se verificaram, e das dificuldades inerentes a tão grande tarefa, o facto é que , com a rapidez - 3 a 4 anos - a Força Aérea, dos cerca de 90 000 Km2 metropolitanos, passou a abranger os cerca de 2 000 000 Km2 do Todo Português.

A CRIAÇÃO DAS TROPAS PÁRA-QUEDISTAS

O Departamento da Defesa Militar
Em 1950, foi criado o Departamento da Defesa Nacional funcionando junto da Presidência do Conselho de Ministros. As suas atribuições diziam respeito ao tratamento das questões gerais da defesa do País, à intervenção na distribuição pelas Forças Armadas das dotações financeiras a estas globalmente consignadas, à superintendência em organismos não afectos ou desafectos do Exército e da Armada, e à coordenação dos Ministérios do Exército e da Marinha, dado existirem, na época, apenas esses dois ramos das Forças Armadas.
O respectivo Ministro, o Ministro da Defesa Nacional, era assistido por um órgão de estudo e parecer, o Secretariado-Geral da Defesa Nacional. O primeiro Ministro da Defesa Nacional, o então Coronel Fernando Santos Costa, desde logo se lançou em não poucas iniciativas tendentes à actualização e aperfeiçoamento das Forças Armadas.
Entre tais iniciativas distinguiram-se a criação da Força Aérea Portuguesa e, nesta Força Aérea, a criação das Tropas Pára-quedistas. Porém, estas duas iniciativas não foram pacíficas, tendo deparado com fortes reacções.

A Força Aérea Portuguesa
A criação da Força Aérea, baseada de início na fusão num único organismo da Aviação do Exército e da Aviação Naval, e implicando, assim, a extinção destas duas aviações com carácter de independência, deu lugar a opiniões, a excitações e a paixões totalmente antagónicas. O Exército, principalmente os seus oficiais de aviação, apoiavam com entusiasmo a criação das Força Aérea, já existente em todos os países progressivos, considerando-a como a conquista de tão desejada individualização do ramo aéreo e da sua equiparação aos outros ramos. A Marinha, como todos ou quase todos os seus oficiais, pelo contrário, opunha-se, da forma mais veemente, ao que considereava ser a amputação da Armada de um seu braço que julgava fundamental, a Aviação Naval, existente em todos os grandes países. A discussão agudizou-se, tendo-se estendido à própria Assembleia Nacional.
Contudo, o Ministro da Defesa Nacional, atendendo à impossibilidade do País sustentar mais de uma aviação, tudo conseguiu vencer, embora não sem dificuldade e com muita luta. E, em 1952, a Força Aérea Portuguesa, de começo limitada a pouco mais do que resultou da fusão das Aviações do Exército e Naval, foi efectivamente criada, tendo-se, após estudo criterioso, encontrado fórmulas justas para a intercalação e hierarquização dos oficiais, e outros militares, oriundos de quadros diferentes.
As Forças Armadas Portuguesas passaram a conter os três ramos militares, hoje clássicos - Exército, Armada, e Força Aérea.

14 de setembro de 2015

OPERAÇÃO "VIRIATO" V

A caminho de Nambuangongo
Na marcha para Norte, o Batalhão de Caçadores 96 foi reforçado com um pelotão de engenharia comandado pelo alferes miliciano Jardim Gonçalves, o homem que anos depois daria cartas na Banca. Armando Maçanita guardou até à morte, aos 88 anos, grande admiração pelo engenheiro. "Se não fosse o alferes Gonçalves não sei se teria conseguido chegar a Nambuangongo" - ouviam-no repetir, de lágrima traiçoeira ao canto do olho, nos almoços que todos os anos juntava os bravos do batalhão. O pelotão de engenharia, sob as ordens de Jardim Gonçalves, construiu jangadas com que atravessaram rios, removeu árvores de grande porte que impediam a passagem, ergueu pontes através das quais venceram os rios. No fim da operação, o alferes foi condecorado com uma Cruz de Guerra.
Os homens do tenente-coronel Maçanita, ao mesmo tempo que ultrapassavam as armadilhas do terreno, defendiam-se de emboscadas da UPA e rechaçavam assaltos dos guerrilheiros. Entraram várias vezes em combate - como no Rio Luica, na Fazenda Portugal, no Cassungo e no Mucondo. Enquanto o Batalhão de Caçadores 96 progredia a caminho do objectivo - o Batalhão de Caçadores 114, comandado pelo tenente-coronel Henrique Oliveira Rodrigues, não conseguia contornar as dificuldades. Tanto o comandante, Oliveira Rodrigues, como o segundo-comandante, major Balula Cid, passando pelo oficial de operações, capitão Lemos Pires - todos eram oficiais com o curso de Estado-Maior. O batalhão não consegue passar de Quissacala, sensivelmente a meio caminho entre o ponto de partida, na região de Caxito, e a vila de Nambuangongo.


OPERAÇÃO "VIRIATO" IV

Apostas no quartel-general
Cumprida a missão entre o Caxito e a Ponte do Dange, o Batalhão de Caçadores 96 recebe novas ordens. O general Silva Freire tinha decidiu lançar a Operação Viriato - a primeira acção militar de grande envergadura da Guerra Colonial. Objectivo: conquistar Nambuangongo, a vila localizada a cerca de 200 quilómetros e que desde Março estava ocupada pelos guerrilheiros da UPA.
A operação consistia na progressão de dois batalhões de Caçadores e de um esquadrão de Cavalaria por três eixos de ataque convergentes sobre Nambuangongo. O Esquadrão de Cavalaria, comandando pelo capitão Rui Abrantes, parte de Ambriz, no litoral. O Batalhão de Caçadores 114, do tenente-coronel Oliveira Rodrigues, abala da zona de Caxito - enquanto ao tenente-coronel Maçanita, à frente do Batalhão de Caçadores 96, é confiado o caminho mais longo (ver infografia na pág. 3).
A Operação Viriato, além da conquista de Nambuangongo, tem ainda como objectivo abrir três itinerários fundamentais para apoiar a reocupação militar do Norte. O mês de Julho já vai a meio e o Governo de Lisboa exige aos altos comandados de Luanda a vitória total até meados de Setembro - antes do início da época das chuvas e antes da reabertura da Assembleia Geral da ONU. Não há tempo a perder.
Está em marcha um verdadeira corrida disputada por três unidades militares que tem como meta a vila ocupada pelos guerrilheiros. Quem chega primeiro a Nambuangongo? No quartel-general em Luanda apostavam singelo contra dobrado no Batalhão de Caçadores 114. Era comandado pelo tenente-coronel Henrique de Oliveira Rodrigues - oficial com o curso de Estado-Maior e que fora um dos alunos dilectos do general Silva Freire no Instituto de Altos Estudos Militares.
Oliveira Rodrigues foi um aluno aplicado. Aprendeu tudo o que os livros ensinam sobre estratégia, táctica e acção de comando. Silva Freire, o comandante máximo da manobra de reocupação do Norte de Angola, tinha orgulho no seu pupilo. Estava convencido que o discípulo seria o primeiro a chegar a Nambuangongo. O general, porém, estava a cometer um erro imperdoável: subestimava a tenacidade e o desembaraço do tenente-coronel Armando Maçanita que, sem os preceitos da doutrina aprendida nos altos estudos, conduzia a operação à sua maneira - "à Maçanita", como diziam entre dentes os oficiais do estado-maior de Silva Freire.