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Barra Crachás

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30 de setembro de 2015

S.MIGUEL ARCANJO PATRONO DOS PÁRA-QUEDISTAS

S. MIGUEL
Padroeiro das Tropas Pára-quedistas

S. Miguel é um dos três Arcanjos referidos pelo nome na Bíblia. O nome Miguel, de origem hebraica, significa "Quem como Deus?" e era o grito de guerra dos anjos fiéis a Deus na batalha celestial contra Lucifer e os anjos que se revoltaram contra Deus.
Nas Profecias de Daniel (X, 13-21), o Arcanjo S. Miguel é considerado como um dos primeiros príncipes celestes e príncipe do povo de Israel, isto é aquele a quem estava principalmente confiada a guarda deste povo.
S. João, no Apocalipse (XII, 7-10) descreve S. Miguel como o chefe das milícias celestes na luta contra Lucifer e os anjos revoltosos. S. Miguel vence Lucifer que é banido do Céu para o Inferno.
Por estas descrições, S. Miguel é geralmente representado vestindo uma armadura metálica, com asas nas costas, e lutando contra Satanás, representado por um dragão ou ser demoníaco.


Aos anjos foi confiada por Deus a protecção e guarda dos homens, em particular ou colectivamente. Os anjos, espíritos puros, são sobretudo os mensageiros de Deus (a palavra angelos significa mensageiro) e intervêm na salvação dos homens por lhes transmitirem a palavra e graça de Deus.
A crença atribui ao Arcanjo S. Miguel três tarefas: ele pesa as almas para separar os puros dos amaldiçoados e condenados; ele conduz as almas ao Céu, protegendo-as do demónio, e por último ele guarda as portas do paraíso. Desta crença resulta outra representação comum de S. Miguel com uma balança de dois pratos na mão destinada a pesar as almas.
A devoção a S. Miguel tinha um alto significado na vida religiosa da Idade Média, e são muitos os relatos de aparições nos campos de batalha em protecção dos exércitos cristãos. É também S. Miguel que terá aparecido a Joana d'Arc antes dos seus feitos militares.
O culto de S. Miguel é antiquíssimo. Na Península Ibérica introduziu-se o culto popular a S. Miguel pelo século VII sendo ele o padroeiro de muitos santuários construídos geralmente em lugares elevados.
Conta uma das crónicas da Reconquista que Ramiro I, rei de Oviedo (842-850), consagrou ao Arcanjo um templo de maravilhosa beleza em S. Miguel de Ligno, Oviedo, agradecendo a protecção que o Arcanjo lhe dispensara nos combates. Também em território português foram construídos templos dedicados ao Arcanjo e referências ao seu culto podem ser encontradas em vários documentos antigos. Entre outras referências, D. João II (1455-1495) mandou pintar a imagem de S. Miguel num altar da igreja de S. Francisco em Évora e fez ornar-lhe o braço com um escudo que tinha as quinas portuguesas. D. Manuel (1469-1521) pediu ao Papa que proclamasse o Arcanjo S. Miguel, Anjo Custódio do Reino. Igualmente significativo, durante a epopeia dos descobrimentos é a atribuição do nome do Arcanjo à maior das ilhas do Arquipélago dos Açores.
O culto pelo Arcanjo S. Miguel não é apenas exclusivo do catolicismo, outros ramos do cristianismo (ortodoxos, anglicanos etc.) e mesmo as outras religiões que reconhecem a Bíblia (islamismo e judaísmo) veneram de alguma forma o Arcanjo. Na religião católica o dia de S. Miguel comemora-se a 29 de Setembro, embora em alguns locais seja igualmente festejada a data de 8 de Maio, comemorando a aparição de S. Miguel no Monte Gargano no Sul da Itália, onde se encontra um dos mais importantes locais de culto ao Arcanjo.

Não se sabe ao certo quando começou a devoção dos Pára-quedistas por S. Miguel. Os anjos são geralmente representados com asas, julga-se que desta representação e do facto de S. Miguel ter chefiado as milícias celestes na luta contra satanás, tenha surgido a devoção a S. Miguel. No entanto essa devoção era já um facto no final da 2ª Guerra Mundial, e segundo consta aos Pára-quedistas aliados que no Dia D saltaram sobre a França ocupada foi-lhes entregue antes de partirem para a missão uma pequena medalha de S. Miguel.

Na região francesa da Normandia entre os vários monumentos militares e capelas são várias as imagens do Arcanjo, algumas delas oferecidas por associações de veteranos pára-quedistas dos países aliados. Um exemplo encontra-se na famosa igreja de St. Mére Église onde um magnifico vitral decorado com motivos e insígnias de unidades pára-quedistas representa o Arcanjo S. Miguel, o local é significativo uma vez que está associado a um dos episódios mais mediatizados da actuação das forças pára-quedistas aliadas na 2ª Guerra Mundial.

Relativamente próximo da Normandia fica Mont Saint Michel, esta espectacular abadia erigida sobre uma ilha rochosa junto à costa, data do inicio do século VIII e é um dos mais significativos lugares de culto a S. Miguel. A abadia atribuída aos monges Beneditinos sofreu várias alterações ao longo dos séculos até atingir a magestosidade actual e que a torna um dos principais locais turísticos de França.
Para além da imponente estátua de S. Miguel colocada no topo da igreja da abadia, o verdadeiro local de culto situa-se na pequena igreja se S. Pedro (Saint Pierre) situada junto à rua principal no acesso à abadia. Nessa igreja se encontra a Capela de S. Miguel e ai as inúmeras placas e dedicatórias de militares pára-quedistas atestam o respeito e devoção ao Arcanjo Padroeiro Universal dos Pára-quedistas.


Entre os Pára-quedistas Portugueses a devoção por S. Miguel e o seu reconhecimento como padroeiro é antiga, o seu culto terá sido trazido com os ensinamentos colhidos pelos primeiros Pára-quedistas formados na escola francesa ou espanhola.
Na capela da Escola das Tropas Aerotransportadas ocupa lugar destacado uma bela imagem de S. Miguel, do século XVIII, oferecida há anos pela primeira mulher pára-quedista portuguesa (e Ibérica) D. Isabel Rilvas. Igualmente no Museu das Tropas Pára-quedistas em Tancos se encontra outra bela imagem de S. Miguel.
A devoção a S.Miguel acompanhou os Pára-quedistas Portugueses nos Balcãs, e num dos aquartelamentos utilizados pelas tropas portuguesas, em Visoko, na Bósnia-Herzegovina, foi erigida uma pequena capela dedicada a S.Miguel.
Após a transição das Tropas Pára-quedistas para o Exército a consagração de S. Miguel como Padroeiro das Tropas Pára-quedistas foi oficializada com a escolha do dia do Arcanjo - 29 de Setembro - como Dia do Comando das Tropas Aerotransportadas.