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Barra Crachás

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4 de setembro de 2015

ENFERMEIRAS PÁRA-QUEDISTAS RELATOS VI

Rosa Serra
Alf.Enfª.Parqª




Tenente Enfermeira Pára-quedista Maria Arminda em farda N.º 1 (Maio de 1967, aos 29 anos)

Uma Maria, que apesar de ter trabalhado directamente com ela tão pouco tempo foi o suficiente para perceber as suas características como enfermeira, como companheira e como pessoa.

É uma das seis Marias que não esconde o orgulho em ter pertencido ao grupo das primeiras mulheres pára-quedistas portuguesas, inseridas nas Forças Armadas e ainda hoje se agita quando vê uma boina verde à distância na cabeça de
um militar.



Fala com vaidade no pai, que foi combatente da 1.ª Guerra Mundial e com memória de elefante que lhe é peculiar, relata a história que ouvia dele quando pequena com tanto orgulho, que quem a ouve não deixa de se pôr a fantasiar, imaginando e comparando a guerra dessa época com a guerra que muitos anos mais tarde, ela tal como todas
nós, viveu em África.

Da mesma forma lúcida, lembra-se como ninguém, da história e dos episódios passados desde o começo das
enfermeiras pára-quedistas.

Desembaraçada na prestação de cuidados de enfermagem, sempre disponível para ajudar as famílias, para levar ou trazer encomendas, filhos pequenos que estavam cá e iam ter com os pais ou vice-versa, de sorriso fácil sem nunca denunciar má vontade.
Quando fazia a continência a comandantes ou ao mais humilde soldado, a postura correcta e respeitosa era a mesma, na maior das perfeições.

Andou por todos os lados, ainda sem estarem estruturadas e organizadas as acções que as enfermeiras vindouras vieram a encontrar. Há muita marca da Maria Arminda na orgânica e na actuação das enfermeiras pára-quedistas em situação de guerra tal como nas evacuações transatlânticas.

É contagiante o seu entusiasmo. Se fosse no tempo de hoje seria com certeza uma mulher militar nos altos comandos.
Decidida, disciplinada, com atitudes sensatas e sérias, com orgulho em manter as botas a brilhar e a boina bem colocada na cabeça. Se fardada de saias ou bata tudo estava em ordem, sempre pronta com tudo organizado para qualquer saída de emergência mesmo que as probabilidades de ser ela a executa-la estivesse em último lugar.

Estava sempre atenta; captando o sofrimento facilmente e os seus gestos eram orientados nas causas humanas para a dor no seu sentido mais amplo. Ainda hoje para a contactar, damos graças a Deus por estarmos na era dos telemóveis,
porque a Maria Arminda ou está acompanhar a vizinha a uma consulta, ou no hospital com algum familiar, ou a sogra de um amigo que precisa de qualquer coisa, não pode falar porque está num velório, enfim, está sempre junto daqueles que precisam de algo, ou que no mínimo lhe passe pela cabeça que alguém fica mais feliz se ela se disponibilizar para resolver qualquer coisa ou estar presente.

Apesar daquele ar militar bem alinhado (à pára-quedista da época) era a que mais se preocupava quando se vestia à civil para irmos a um jantar ou festa.
Estou a recordar-me de quando estive com ela nos Açores e tivemos um convite para uma festa no clube de oficiais americanos.

A festa foi logo no dia seguinte à minha chegada e qual o meu espanto quando ao bater na porta do seu quarto para lhe perguntar qualquer coisa, a vejo deitada na cama, já de banho tomado, vestida de roupão e de rodelas, de batatas, em cima dos olhos em perfeita postura de relaxamento. Admirada, porque eu desconhecia esses truques caseiros usados para a beleza feminina, pergunto o que lhe tinha acontecido e ela sorrindo pela minha ignorância explicou que era para diminuir as olheiras.

Depois quando se apresentou pronta, reparei que foi a que mais se mirou ao espelho, perguntando-nos se ia bem, se os sapatos condiziam bem com a carteira, se o vestido assentava na perfeição, se o brilho do batom não era exagerado, etc, etc, etc.

Fiquei de boca aberta. Aquela enfermeira que fardada de militar não realçava o seu lado feminino, de repente transforma-se na jovem mais preocupada em mostrar que também tem cuidado com a sua imagem de mulher.

É assim a Maria Arminda. Uma mulher de "M" muito grande.

Rosa Serra
Ex-Enfermeira Pára-quedista



Maria Arminda com o pastor Alemão da Companhia de Cufar (Guiné Portuguesa, Junho de 1965).


Evacuação de feridos a bordo de um DC6 de Lourenço Marques para Luanda (Setembro de 1969)


Base de Bissalanca a bordo de um Dornier 27 (Guiné Portuguesa 1966)



Mesmo nas horas de lazer e brincadeiras, a Maria Arminda embora bem fardada, não deixou de levar às cavalitas a Sargento Lurdinhas.