Menu

Drop Down MenusCSS Drop Down MenuPure CSS Dropdown Menu

Barra Crachás

Barra Crachás

12 de setembro de 2015

RELATOS DA GUINÉ II

“OUTRO INFERNO A SUL”

Do nosso camarada pára-quedista Victor Tavares, deixo aqui o relato de uma das muitas operações, por ele e outros camaradas efectuadas na Guiné.
Uma missão estava destinada à Companhia de Caçadores Pára-quedistas 121 , onde já se encontravam há vários dias as nossas Companhias de Pára-quedistas 122 e 123 , dada a gravidade da situação criada pelas forças do PAIGC que neste período do ano , entre Maio e Julho , intensificou os ataques , tanto a aquartelamentos como a colunas , em Gadamael Porto a situação era cada vez mais complicada , uma vez que os militares do PAIGC já tinham tomado o destacamento de Guileje , após ataques contínuos de artilharia e flagelações de armas ligeiras, chegando mesmo a cercarem o destacamento mantendo a sua guarnição sitiada até à tomada de decisão de abandonar o destacamento por parte do seu Comandante COUTINHO de LIMA, uma vez que não lhe restava outra alternativa. Não o fazendo correria o risco de serem dizimados pelas forças atacantes que estavam decididas a tomar o aquartelamento.





Os ataques geralmente partiam da Guiné Conacri, após o abandono de GUILEJE por parte das nossas forças, os homens do PAIGC começaram a bombardear Gadamael Porto, concentrando toda a sua artilharia apontada a este destacamento com a intenção de o tomar de seguida.
No entanto este já se encontrava guarnecido pelas Companhias de Pára-quedistas, 122 e 123 e a partir da data acima indicada pela 121, as quais impediram tal intenção. Mesmo assim foram dias de grande azafama em termos operacionais aonde a segurança era nula várias vezes ao dia era o destacamento atacado e não falhavam um único tiro, tornou-se numa situação insuportável ,as nossas tropas tinham mais segurança quando andavam fora do destacamento em patrulhamentos , a nossa missão foi manter a segurança do destacamento , patrulhando e fazendo incursões até junto da fronteira , aonde o PAIGC tinha instaladas armas antiaéreas e canhões s/recuo , de onde atingiam Gadamael Porto , e antes , Guileje , durante estes patrulhamentos tivemos um primeiro contacto com as forças do PAIGC sem qualquer problemas para as nossas tropas.

No dia 13-06, manhã cedo prepáramo-nos para rumar a Gadamael, sendo transportados em Zebros do Destacamento de Fuzileiros Especiais Africanos N.21, dois grupos de combate sendo colocados nas margens do rio nas proximidades de Gadamael para onde seguimos em patrulhamento depois de serem desembarcados os outros dois grupos de combate da 121 que foram deslocados em LDM, no retorno das embarcações seguiram para Cacine os Pára-quedistas da CCP122, aonde iriam recuperar durante um curto período.


Chegados ao destacamento verificamos que o estado do mesmo era na verdade aterrador fruto dos constantes ataques, sendo bem visíveis os buracos dos rebentamentos das granadas do IN, era evidente que quem lá tinha estado anteriormente tinha passado por uns maus bocados.
As nossas duas companhias de pára-quedistas que se encontravam aqui estacionadas estavam em permanentes patrulhamentos no exterior do aquartelamento indo a este
simplesmente para remuniciamento e reabastecimento, desta forma fomos alargando o raio de acção indo até junto á fronteira, para conseguir referenciar os locais de onde o PAIGC fazia os ataques, para dar indicações á nossa Artilharia e Força Aérea, o que devido a esta impossibilidade de referenciar estes alvos, o que nos levou a ocupar as zonas em que o IN, poderia instalar as suas bases do fogo e assim fazê-lo afastar-se, foi o que veio a acontecer.
A partir desta altura fomos ao encontro dos locais de onde se ouviam os disparos das bocas de fogo e ocupamos essas áreas mesmo junto á fronteira, algumas vezes chegamos mesmo a ultrapassar a linha de fronteira com alguma profundidade nunca por períodos longos, mas apenas porque havia aí bases de fogo IN , nunca conseguimos apanhá-los desprevenidos, pois havia sempre forças de infantaria do PAIGC que os alertava com tiros acabando por retardar a nossa progressão.
No entanto os ataque a Gadamael deixaram de ser tão frequentes, passando a flagelações com menos intensidade e sem a precisão até aí evidenciada e feitas a partir daí sempre de locais diferentes, quando as nossas forças aí chegavam já eles tinham partido para outro local.
Mesmo já quando as forças do PAIGC não flagelavam o destacamento com tanta frequência fomos mantendo a actividade de patrulha ao mesmo ritmo, de forma a manter as áreas próximas do braço do rio que dava acesso a Gadamael e que era a nossa única via de ligação para o exterior.
Consequentemente a eficácia de tiro até aí verificada por parte do IN deixou de existir e a intenção e pressão inicial caiu por terra, as forças do nosso exército voltaram ao destacamento e com os pára-quedistas fizeram vários patrulhamentos transmitindo-lhes os nossos conhecimentos e mais confiança nos deslocamentos em plena mata até aí de arrepiar.

Victor Tavares ©